Domingo, Março 23, 2008

Autista conclui mestrado numa das maiores univerdidade do país.

Cão-guia ajudou autista a fazer mestrado. A amizade com uma cadela labrador ajudou Daniel Jansen, 32 anos, a ser o primeiro autista brasileiro a defender uma tese na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Autistas têm dificuldades de planejamento e convivência. Fatores que prejudicam a vida escolar dos portadores da doença. Daniel é autista de alto funcionamento, ou seja, ele é portador da síndrome de Asperger que é uma variante mais leve do autismo. Ele conseguiu concluir a dissertação de mestrado na área de biologia no fim de fevereiro desse ano na Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp. A dificuldade de convivência contou com a ajuda inesperada de uma cadela labrador e também da Associação para o Desenvolvimento dos Autistas de Campinas (Adacamp).

"Daniel sempre se isolava na escola. Tinha dificuldade de relacionamento com as pessoas. Ele tinha medo em se relacionar, medo de tocar as pessoas. Há 3,5 anos eu vi uma matéria que falava da terapia com cães e fui fazer um curso. A filhote de labrador começou a despertar uma curiosidade e um interesse no meu filho. Ele não aceitava abraço, tinha resistências. As lambidas e brincadeiras da cadela fizeram com que ele desenvolvesse auto-estima e tivesse segurança.", relata a mãe dele, a bióloga Sílvia Ribeiro Jansen Ferreira. Ela se empolgou tanto com o resultado com o benefício que o animal provocou no comportamento do filho que fundou uma Ong que desenvolve terapia de cães com portadores de outras doenças. Mas o desenvolvimento escolar de Daniel nem sempre foi fácil. Na escola, ele falava sozinho e ficava pelos cantos. Era raro, mas mantinha contato com algumas pessoas adultas.

"Dia sim e dia não, lá estava eu na escola. A dificuldade em se relacionar e a dificuldade motora sempre trouxeram problemas. Mas era só isso. Ele é muito inteligente. Desde os quatro anos já lia meus livros de anatomia que tenho em casa. Sempre teve excelentes notas. Chegou a fazer três anos do curso de medicina, mas quando chegou na fase do contato com o paciente, o olho no olho, não deu mais. A faculdade pediu para ele sair. Durante feiras de estudantes descobriu o interesse para a área biológica. O cachorro ajudou na auto-estima e na segurança. Mas houveram muitas reuniões na universidade para esclarecer sobre a patologia. Havia muito receio de como tratar meu filho", explica a mãe."o cachorro ajudou, criou um vínculo afetivo, mas foi um conjunto de ações que ajudou o Daniel a concluir o mestrado na Unicamp. ", analisa o diretor-clínico da Associação para o Desenvolvimento dos Autistas de Campinas, o psiquiatra Cesar de Moraes. O médico é um dos profissionais especialista no assunto que foi mais de uma vez na Unicamp orientar e explicar as características da doença para a coordenação e professores do curso.

De acordo com o médico Cesar de Moraes , Daniel tem síndrome de Asperger que é uma variante mais leve do autismo. O médico explica que o autismo e a Síndrome de Asperger são transtornos invasivos de desenvolvimento, sendo a síndrome uma variante mais leve porque não tem retardo mental, não tem impacto na linguagem verbal, mas tem impacto social e o portador tem ações repetitivas. "Na Síndrome de Asperger, é mais comum em meninos do que em meninas. O portador tem problema de coordenação motora; a linguagem é monótona e em tom monocórdio. Quem tem a síndrome tem dificuldade em interação social, brincam sozinhos, são muito fantasiosos e tem interesses focados, como por exemplo gostar de dinossauro e saber tudo sobre esse assunto. Eles também tem comportamento repetitivo. A doença se manifesta antes dos 3 anos de idade. O impacto dessa doença é na qualidade social, porque as ações são repetitivas e rotineiras. Já o autismo tem as mesmas características de uma forma mais grave no padrão de repetição, dificuldade em raciocínio lógico. Dois terços dos autistas nunca vão vir a falar. ", elucida o médico.mesmo com o apoio dos especialistas e da labrador, Daniel Jansen Ferreira não recebeu tratamento diferente de outros alunos. Prestou o exame e disputou com cerca de 50 alunos a 15 vagas no mestrado de ecologia da Unicamp.

"Ele participou de todo processo, fez todas as disciplinas. Só substituí uma disciplina de campo por outra, mas isso não prejudicou em nada o trabalho de pesquisa dele. O daniel foi responsável em identificar 35 espécies diferentes que vivem ao redor e dentro de algas e esponjas. Ele mesmo fez as coletas dessas espécies em duas praias diferentes em quatro estações do ano. O ritmo dele é diferente mas ele cumpriu o prazo para concluir o mestrado e o trabalho ficou muito bom. Ele tem comportamentos repetitivos, mas que a gente se acostumou. Pessoalmente acho que colaborei, superamos limitações, ganhei e aprendi a lidar com situações que nunca antes tinha sonhado em viver. ", relata a professora orientadora dele, a professora do Departamento de Zoologia do Instituto de Biologia da Unicamp, a bióloga Fosca Pedini Pereira Leite. A pós-graduação em ecologia da Unicamp é um dos mais conceituados no país.

Agora, Daniel espera vencer um novo desafio. Arrumar uma namorada.

Sábado, Março 15, 2008


Se você olhar bem, vai perceber que em algum lugar tem tempestade. A chuva molha a alma da gente. E como é bom o cheirinho que deixa...

Quinta-feira, Março 13, 2008

Envelhescência

Vaidade não vem junto do pacote quando nascemos menininhas. A gente não escolhe, mas mãe que é mãe faz da gente boneca quando criança. Cortina rosa de babado, edredon abajour com franja, almofadas de coração...rosa. Até minha escolha de boneca Bem-Me-Quer (vixe, que véia!) tinha cabelo rosa. Não sei ao certo se era eu ou minha mãe que brincava de casinha. Numa dessas datas autorizadas para criança ganhar presente, foi minha mãe quem escolheu que eu ganharia a boneca Mãezinha. Advinha de quem era o presente? Na época dela, não tinha dinheiro nem pra comer um mísero chocolatinho. Talvez venha daí a habilidade de fazer bonecas. Uma mais linda do que a outra. Ela ficou conhecida como a Dalila das Bonecas. Até hoje.

E, assim que a gente vai crescendo, a mãe também vai ajudando a gente a despertar pras coisas da vida: - Senta direito! Olha a coluna, murcha a barriga, bunda pra trás , cabeça levantada e assim em diante. Muitos anos de adolescência e de um lado minha mãe falava em maquiagem, e eu queria bichinho de pelúcia. Mas quando comecei a despertar realmente para a adolescência, veio meu pai do outro lado dizer que o jeito de se vestir era gola fechada e roupa cumprida nas pernas. Éramos cercados de culpa católica com medo do pecado. Carnaval, só se fosse de manga cumprida e bermuda até o joelho, e olhe lá! Na melhor cena da novela- a do beijo- meu pai soltava um ã-hã numa ditadura plantada dentro da sala ao lado do nosso sofá. Muitas brigas, autorização assinada por mim se passando por meus pais, castigos, repressão, mas ao mesmo tempo um incentivo para ter comportamento de mocinha. Fui espivetada, levei surras homéricas e também fui muito “queixo duro”. Mesmo assim, mantive uma responsabilidade exarcebada dentro de mim. E pouca vaidade.
Não uso maquiagem no dia-a-dia até hoje, mas em algum evento faço questão de me produzir. É bem saudável e dá um resultado IN-CRÍ-VEL! Meninos, vocês não tem noção de como uma mulher pode ser modificada com a força de uma boa base, pó, rímel e
baton (rs).


Tenho pensado com uma certa freqüência em que momento eu decidi me boicotar. Desde os treze anos tenho como inimigos mortais a balança e o espelho. Esses (In)utensílios não entram em casa faz tempo. Prefiro não olhar , muito menos saber quantos quilos de carne transporto. É meio Garfield, eu sei, essa história de sumir com os espelhos para exterminar o inimigo. Mas talvez ele esteja dentro da gente mesmo.

Ultimamente, percebo que vaidade não é pecado e estou tentando acabar com o algoz que habita em mim. Leva um tempo, mas a gente vira mocinha uma hora.